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Opinião Feminina #325 – Bad Reputation

Pela primeira vez na sua história, a WWE irá apresentar quatro combates diferentes envolvendo mulheres na WrestleMania. Em 33 edições, mais de 70% teve apenas um ou nenhum combate feminino na WrestleMania. É certo que sempre estiveram presentes mulheres, sejam celebridades ou as tradicionais valets, mas a igualdade de género e oportunidades nunca fez parte da história da WrestleMania. Este ano, teremos dois combates individuais pelos títulos femininos, um combate misto de equipas e uma Battle Royal. Um combate individual pelo título feminino na WrestleMania é, por si só, uma ocorrência rara, o que diremos então de dois no mesmo evento? Normalmente, a WWE prefere combates com o máximo número de participantes femininas, de forma a que todas possa aparecer de uma só vez, poupando tempo e trabalho.

É por isso que combates de Battle Royal, Lumberjill e de equipas – sejam mistos ou não – são abundantes na história da WrestleMania. Eram formas fáceis e rápidas de incluir a divisão feminina no grande evento. Todavia, os tempos mudaram. Não muito. Não tanto quanto se desejaria. Mas mudaram e vão continuar a mudar, aos poucos, ao longo dos próximos anos. Não é por acaso que temos assistido a um aumento de combates femininos na WrestleMania pelo segundo ano consecutivo e que, todos os anos, os combates em si vão tendo cada vez mais tempo. Este ano, vamos ter um pouco de tudo.

Vamos ter a tradicional Battle Royal, o veículo preferido da WWE para tentar incluir os lutadores –neste caso, as lutadoras – que não têm tempo ou não são importantes o suficiente para destacar individualmente. O que não deixa de ser irónico, visto que a tradição de assistirmos a eventos de sete horas de duração continua. Portanto, este ano, as senhoras que não irão configurar nos combates principais irão, tal como os senhores, competir numa Battle Royal. Para um combate aparentemente insignificante que duvidosamente irá ter consequências reais na divisão, já correu muita tinta e já muito foi dito sobre ele, particularmente sobre o primeiro instinto da WWE em usá-lo para homenagear The Fabulous Moolah.

A reputação de Moolah não é a melhor, mas tal nunca impediu a WWE de homenagear ninguém no passado. Jimmy Snuka e The Ultimate Warrior são apenas alguns exemplos de figuras com reputação muito questionável que já foram ou ainda são homenageados, porque, no fim do dia, a WWE pouco se importa com a reputação ou com a qualidade moral das pessoas que homenageia. A WWE não possui uma bússola moral, onde procure apenas homenagear pessoas de valor, honradas e trabalhadoras. A WWE possui, sim, um desejo de manter uma boa imagem e, tal como qualquer outra grande corporação que se preze, irá mudar as suas decisões à velocidade da luz, sem qualquer réstia de arrependimento ou sequer um pedido de desculpas, porque é o que é preciso fazer para manter essa boa imagem.

A WWE não quer saber se Hulk Hogan ou Ultimate Warrior fazem discursos racistas, xenófobos ou puramente cruéis. Porém, se o público quiser saber e se, de repente, o apoio a uma destas entidades for visto com maus olhos, a WWE irá então fazer o politicamente correto de se afastar até ser socialmente aceitável voltar a aproximar-se. Por isso é que um dos mencionados está, de momento, na lista negra, enquanto o outro é homenageado todos os anos e morreu idolatrado pela companhia.

A polémica que se passou com Moolah foi simplesmente mais do mesmo. A WWE não quer saber do que Moolah fez ou deixou de fazer que possa ter sido menos apropriado ou humanamente decente. Porém, se um dos seus patrocinadores oficiais levanta questões, então a WWE muda o nome do combate e continua a sua vida como se não tivesse feito nada de errado em primeiro lugar. No fundo, é isso que mais me irrita na WWE. Tal como qualquer outra grande corporação, não há traços de remorso, um pedido de desculpas ou, ainda pior, uma admissão de culpa. Não é muito diferente da WWE constantemente enaltecer o facto dos tempos terem mudado e de agora estarmos a assistir a uma revolução feminina, sem nunca reconhecer que foi sempre a WWE que as manteve reduzidas a símbolos sexuais apresentados entre os combates importantes, para que os fãs pudessem relaxar e, claro, lavar a vista.

Apesar de toda a polémica e apesar de não acreditar que a Battle Royal vá ter consequências reais e duradouras, para além de ser só mais um combate com toda a gente para que possam todos aparecer, facto é que, a curto prazo, pode servir como um momento para reconhecer algumas das estrelas da divisão que raramente recebem o reconhecimento devido, como Becky Lynch, a minha pessoal preferida a vencer o combate. Também é mais do que certo que Bayley e Sasha Banks irão continuar a rivalidade entre as duas durante o combate. Estas duas não tinham grande escolha. Ou participam na Battle Royal e têm uma pequena hipótese de escapar ao pré-show, ou tinham um combate individual sem tempo nenhum e muito certamente no pré-show. Não minto que gostaria de ver Sasha Banks vs Bayley numa WrestleMania, mas infelizmente, ainda não será nesta. Pode ser que em futuras edições, já haja tempo para combates individuais com histórias cativantes, mesmo sem títulos ou celebridades em jogo.

A defender o título feminino do Raw, temos Alexa Bliss contra Nia Jax numa história que peca pela falta de originalidade. Com tanta ponta por onde pegar para contar a história deste combate, a WWE preferiu voltar a recorrer a comportamentos colegiais e muito infantis, bem ao estilo de Mean Girls. É um regresso às origens para a WWE. No que toca a rivalidades entre duas mulheres, a WWE tem sempre de se esforçar para não recorrer a caprichos e ataques à aparência física ou ao típico cliché de “as mulheres não sabem ser amigas umas das outras”. Em vez de termos uma Nia Jax credível e desafiadora que continua na sua missão e no seu sonho de se tornar campeã e para isso tem de enfrentar uma vilã que passou todo o seu reinado a sobreviver por pouco, temos uma Nia Jax que já perdeu mais vezes que a conta e a ser humilhada e gozada por Alexa Bliss por causa do seu peso.

Como sempre é necessário com histórias deste género, Nia Jax já disse em entrevistas que se sente muito contente com a direção desta história, porque assim irá inspirar crianças que são vítimas de bullying pela mesma razão. É uma forma inteligente da WWE se salvaguardar das críticas negativas à escolha deste combate. Infelizmente, a WWE só conhece esta forma de ensinar às crianças que fazer bullying é errado. Infelizmente, ainda ninguém na companhia se apercebeu que existem outras formas de inspirar crianças que possam estar a sofrer deste problema como, por exemplo, apresentar Nia Jax de forma credível e bem-sucedida e coroá-la como campeã na WrestleMania. É a representatividade que inspira as pessoas. Quando todos conseguem ligar a televisão e ver um filme, uma série ou um programa de Wrestling e vêem alguém tal como eles são – independentemente da raça, orientação sexual ou religiosa ou aspeto físico – a ser ator ou atriz principal ou até campeão na WrestleMania. É isso que é inspirador.

Não vejo outra forma como este combate pode acabar senão com Nia Jax a dizimar Alexa Bliss em segundos. É o que deve acontecer, especialmente agora que a história parece saída do filme Mean Girls. No entanto, tenho um pressentimento estranho que, por alguma razão, Alexa Bliss continua campeã. Posso estar errada, mas não seria a primeira vez que um vilão fazia pouco da identidade pessoal de um adversário e vencia. Para Nia Jax ter uma hipótese de salvar a sua identidade de imparável e destruidora, o combate tem de ser rápido e tem de terminar numa vitória. Alexa Bliss não pode sobreviver e não pode ter hipóteses de escapar. Está na hora dela ser castigada.

O outro combate pelo título feminino é infinitamente mais interessante. Asuka vs Charlotte tem tudo para ser o combate feminino da noite. De um lado temos Asuka, invencível desde o dia em que se estreou, imparável, enérgica e fantástica de assistir. Asuka não tem só a série de vitórias mais impressionante da era moderna, Asuka é uma das personalidades mais fascinantes da era moderna. Um dos principais motivos para tal é o facto de, com Asuka, nunca sentimos que estamos a ver um ator desempenhar um papel. Asuka é o que estamos a ver, sempre! Não só isso, como ela é completamente diferente de todas as outras. A apresentação, forma de lutar, forma de se mexer, forma de se expressar… Tudo nela é diferente, tudo nela sobressai. Vamos mostrar três horas de Raw (ou sete horas de WrestleMania) a uma pessoa que esteja a ver pela primeira vez e, definitivamente, Asuka é alguém de quem se vão lembrar, porque é das poucas que se destaca.

A sua expressividade, para mim, é absolutamente brilhante. Asuka é a personificação do provérbio “para bom entendedor, meia palavra basta” e o resto é conversa.

Do outro lado, temos Charlotte. Desde o início desta revolução feminina, Charlotte foi a escolhida para ser o rosto, a líder e ela não tem falhado no seu papel. Este é um combate que faz muito sentido e dos mais interessantes que a divisão tem para mostrar. O confronto que ambas tiveram no Fastlane foi tudo o que foi preciso para promover este combate, porque a carreira destas senhoras até ao momento conta o resto da história. Seria preferível que a WWE não estragasse esta história já tão bem contada ao ter Charlotte a perder, semanas antes da WrestleMania, ou pior ainda, a ter Carmella envolver-se no combate.

O conceito de “Money in the Bank” já esgotou e tal não é recente. O facto deste ser reutilizado todos os anos por rotina e obrigação, em vez de ser porque a companhia tem uma ideia concreta do que quer fazer com o vencedor, não ajuda ninguém. Carmella nunca devia ter vencido a mala e, sinceramente, gostava que ela a perdesse. E acho que é aí que a magia, relativamente a este conceito, acaba e este deixa de fazer sentido. Já não é excitante, já não é interessante e, neste momento, só me dá medo. Medo que a WWE não queira ter um resultado decisivo neste combate e, para isso, use Carmella e a mala. Lembram-se de Seth Rollins na WrestleMania 31? Lembram-se de como nem Lesnar, nem Reigns perderam credibilidade graças à interferência de Rollins e consequente vitória?

Pois, tenho medo que a WWE também se lembre e se esqueça, convenientemente, que Carmella não é o Seth Rollins da divisão feminina.

Charlotte vs Asuka é um dos poucos, muito poucos, combates verdadeiramente excitantes e interessantes que a divisão feminina tem para oferecer. Não só isso, como vai acontecer na WrestleMania, no maior evento do ano. Não há que ter medo de um resultado decisivo. Envolver Carmella para fugir como rabo à seringa só vai prejudicar mais todas as envolvidas. O resultado deste combate tem de ser óbvio – vitória de Asuka. Charlotte não perde nada, absolutamente nada, em perder contra Asuka. Charlotte perdeu mais credibilidade em perder contra Natalya, alguém que ela já venceu imensas vezes, semanas antes do grande evento, do que em perder com Asuka no grande evento. Sim, eu sei que foi através de uma distração de Carmella – continua sem favores a Charlotte. Asuka tem de vencer e gostava de ver um combate competitivo. É o que faz sentido, é o que faz jus à personalidade de ambas. Asuka já foi desafiada no passado, já esteve em vias de perder no passado, no seus tempos de NXT com Ember Moon, e Charlotte é a pessoa certa para voltar a ameaçar com credibilidade o reinado da imperadora.

Ronda Rousey irá competir pela primeira vez num ringue da WWE e os seus adversários serão Triple H e Stephanie McMahon. Eu sei, é chocante, não é? Tão chocante que Triple H e Stephanie queiram estar associados a uma das maiores estrelas dos últimos anos e a alguém que já fez capa de muito jornal e revista por esse mundo fora. É enjoativo de tão previsível e conveniente que é. Este é o problema de combates envolvendo celebridades. Os combates em que queremos vê-los lutar só podem acontecer na nossa cabeça, porque, na maioria das vezes, eles não têm a capacidade de ter o combate que nós queremos ver.

Ronda Rousey na WWE era uma inevitabilidade. É um bom negócio para todos – a WWE ganha publicidade e Rousey diverte-se a ganhar uns milhões. No entanto, quando imaginava Rousey na WWE, imaginava uma personalidade imparável, ameaçadora e credível. Não imaginava uma Rousey que chegasse com um grande sorriso e que fosse desconfortável ao microfone – se  bem que nem no mundo UFC ela foi muito confortável com o microfone na mão. E isto são aspetos que rapidamente matam a aura de Rousey. Ronda Rousey em 2018 é muito diferente da Ronda Rousey invencível em 2016 que apareceu na WrestleMania 32. Agora já vimos Rousey perder e, pior do que isso, já vimos o quão frágil Rousey é a nível emocional. Portanto, Rousey, em ringue e ao microfone, tem que ser protegida ao máximo, porque senão rapidamente perde a sua aura e até corre o risco dos fãs se virarem contra ela.

Aliás, tal como vimos depois da primeira vez que ela atacou Stephanie com uma suposta “samoan drop” (mais tarde, Rousey surgiu nas redes sociais a implicar que tinha feito, não uma “samoan drop”, mas uma manobra de judo), tudo o que Rousey fizer na WWE vai ser analisado a microscópio e debatido até à exaustão. Senão for propriamente protegida, Rousey rapidamente perde os fãs.

Por isso é que, muito contra minha vontade e prazer, Triple H e Stephanie são os adversários perfeitos para a sua primeira rivalidade. Primeiro, Triple H e Kurt Angle são lutadores experientes que podem ocupar a maior parte do combate, de forma a proteger as senhoras, que são as mais inexperientes. Afinal, este será o primeiro combate de Wrestling de Rousey e, por muito que ande a treinar no Performance Center, tal não significa que ela está pronta para dar já um combate a sério. Segundo, se há uma coisa que Stephanie e Triple H sabem fazer bem é ser vilões e ser odiados. Se eles fizerem bem o seu trabalho, ninguém os vai apoiar. A maioria dos segmentos que envolveu esta história desde o Royal Rumble resultou exatamente por causa deles. Terceiro, se há alguém que não perde absolutamente nada em ser sacrificado no primeiro combate de Rousey na WWE, então esse alguém é Stephanie McMahon e, muito provavelmente, Triple H, pois este também já foi vítima de ataque por parte de Rousey por duas vezes.

No entanto, este continua a ser o combate que tenho menos interesse em ver. Ronda Rousey, por si só, não é terrivelmente interessante. Após as suas derrotas, esta revelou-se frágil, hipócrita e instável. Rousey já provou não aguentar quando as coisas complicam, preferir fugir e esconder a cara, em vez de dizer com orgulho que tentou, mas falhou. Rousey prefere ser rude para jornalistas que fazem perguntas complicadas ou então impedi-los de fazer as perguntas em primeiro lugar. Rousey parecia a heroína perfeita, até que apareceu a primeira adversidade e ela completamente desmoronou (não uma vez, mas duas).

E por outro lado, ainda tenho menos interesse em ver mais um combate a ser construído à volta de um McMahon que tem a mania que sabe lutar e que é tão bom quanto os restantes dos lutadores que lutam centenas de combates por ano. Pelos vistos, é um mal de família. Eu perdi o interesse em Stephanie McMahon e Triple H, como figuras regulares em televisão e vilões (ou heróis, dependendo dos dias), em 2014. Estamos em 2018. Eu percebo que Triple H e Stephanie como adversários de Rousey no seu primeiro combate fazem sentido e é o melhor para todos os envolvidos, mas só de pensar nisso fico com alergia.

Não tenho dúvidas que, neste caso, a WWE vai fazer o que tem de fazer. Rousey vai dominar e vencer os seus adversários com algumas manobras espetaculares, sem perder muito tempo dentro de ringue. Stephanie e Triple H vão fazer trinta por uma linha para vender as suas manobras e, no fim do dia, todos irão brilhar na semana seguinte enquanto são questionados vezes sem conta pela imprensa sobre os acontecimentos da WrestleMania 34 e da estreia de Rousey nos ringues. Tudo isto faz sentido, é razoável e previsível, mas não é para mim. Definitivamente, este não é o combate que preciso ou quero ver.

É a magia do Wrestling e da WWE. Num card, nem tudo é para todos e cada um terá as suas preferências. Facto é que, aos poucos, muito devagarinho (quase a passo de tartaruga), a WWE vai mudando e dando mais oportunidades. Os combates são mais sérios, em maior quantidade do que foram até não há muito tempo atrás e com mais tempo. E isso merece uma celebração. Obrigada a todos, divirtam-se com a WrestleMania e até daqui a duas semanas!

Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

6 Comentários

  1. Júnior 007 há 4 meses

    Ótimo artigo sinceramente acho que essa Battle Royal feminina e mesma coisa da masculina e só pra encher linguiça mais acho que beckey Lynch ou Bailey vencem .

    Acho que a Alexa bliss vai ser derrotada vai se irritar e vai atacar a nia jax aí Carmela vai fazer o cash in e sair campeã no RAW do dia seguinte as menbras do RAW vão até o Kurt angle reclamando .

    Asuka deve vencer a Charlotte , vai ficar com o título por um longo tempo.

    O combate da ronda Rousey não me interessa.

  2. Felipe Cardoso há 4 meses

    Alguém me tira uma duvida, para assinar esse mês grátis da WWE Network, eu preciso ter saldo no paypal?

  3. O combate para Rousey é o melhor possível nesse momento. Se colocasse uma luta contra uma wrestler de topo ficaria muito clara a diferença de qualidade das duas. Mesmo se o combate fosse contra alguma lutadora menos talentosa como a Mandy Rose, a diferença entre alguém que se apresenta 5 vezes por semana para o público e alguém que só treina no performance center iria ser gritante.

    Melhor adversária para Rousey só se fosse uma das gêmeas bellas

  4. Santos99 há 4 meses

    Excelente artigo Salgado, concordo com a tua opinião em relação à Battle Royal, a maneira como a WWE fige a polémicas chega a ser vergonhoso. Em relação à ao combate da Ronda, só tenho interesse mesmo para ver o Kurt Angle.
    Mais um belo texto Salgado, devias fazer destes todas as semanas!

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