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Opinião Feminina #328 – Where did it all go wrong?

Um combate de sonho, dois talentos com potencial de arrasar e o palco perfeito. O que podia correr mal? Como de costume, na WWE, o que pode correr mal, tende a correr mal.  O maior inimigo da atual geração de lutadores na WWE, ao contrário do que se possa pensar, não é o calendário intenso, possíveis lesões ou até problemas pessoais nos bastidores. Nada disso, o maior inimigo que os lutadores atuais da WWE podem enfrentar é o lado criativo da WWE. Como é que bons lutadores, ou até fantásticos lutadores, como AJ Styles, entre outros, podem sobreviver a um mau booking? Mau booking não discrimina, ataca favoritos da companhia, favoritos dos fãs, lutadores talentosos, lutadores sem talento. Todos são afetados e ninguém se escapa.

É verdade que tremendos lutadores conseguem, por vezes, sobreviver a más histórias ou até salvar rivalidades que são mal contadas, todavia, tal não é uma ocorrência diária. A maioria das batalhas são vencidas, infelizmente, pelo lado criativo que, de tão mau, desastrado, repetitivo ou apenas aborrecido, acaba por arruinar o potencial de algumas rivalidades e combates e, em casos mais severos, permanentemente prejudicar a imagem de um talento, independentemente da qualidade do seu trabalho.

O que não faltam são exemplos, atuais, desta situação, mas a edição de hoje é dedicada à rivalidade de AJ Styles e Shinsuke Nakamura.

A vitória de Shinsuke Nakamura no Royal Rumble foi uma surpresa. É certo que ele era um dos favoritos a vencer, porém tive dificuldade em acreditar que a WWE iria, de facto, dar a vitória a um dos favoritos dos fãs para realizar um combate que, para muitos, era considerado um combate de sonho na WrestleMania. Nakamura e Styles já se tinham enfrentado no passado, fora da WWE, mas a ideia que agora iriam ter um combate de elevado calibre no que é considerado por muitos, o maior evento do ano, a WrestleMania, era empolgante. Este era o “nosso” combate do card. Os fãs da companhia nunca se iriam rever na história de Roman Reigns e a estreia de Ronda Rousey podia ter corrido terrivelmente mal, portanto este combate, juntamente com o combate feminino de Charlotte e Asuka, era o combate que tinha maior potencial para brilhar em ringue e nos relembrar porque é que somos fãs.

Este era o combate onde acreditávamos que não íamos sair desiludidos, independentemente do resultado. Dois favoritos, um enorme potencial, um palco de sonho… O que se podia pedir mais?

Aparentemente, criatividade é pedir demais. O interesse neste combate manteve-se vivo graças ao favoritismo dos fãs em relação aos dois talentos, pois a chama da rivalidade nunca se acendeu nos meses que antecederam a WrestleMania. Já há largos meses que, criativamente, o Smackdown tem sofrido horrores, e esta rivalidade foi apenas a última vítima de tal. Portanto, quando a noite de WrestleMania chegou, este continuava a ser o combate em que se depositavam as esperanças para dar espetáculo, mas a excitação já não era a mesma que no dia do Royal Rumble.

AJ Styles venceu um combate que ficou aquém das expetativas. O facto dos dois não terem uma história para contar foi um dos motivos para o combate ter, na realidade, fracassado na sua missão de impressionar. A ideia de dois lutadores se enfrentarem num combate de sonho na WrestleMania é fantástica, mas tal não chega só como história. Por exemplo, Shawn Michaels vs Kurt Angle sempre foi um combate de sonho, devido à enorme qualidade e talento dos dois, mas a sua rivalidade – que culminou na WrestleMania 21 – não se resumiu simplesmente à concretização desse sonho. Começou com um motivo legítimo e evoluiu para algo pessoal e competitivo. A questão é que a história de dois lutadores populares se enfrentarem na WrestleMania num combate de sonho basta, como história, para apenas 1% das situações. E é muito mais provável esse 1% constituir combates de estrelas já mais do que estabelecidas na WWE, com carreiras feitas, do que pessoas que, apesar de populares, ainda estão a estabelecer uma carreira na companhia.

Após o combate, Nakamura atacou AJ Styles de forma bastante pessoal reavivando a esperança dos fãs que, afinal, esta rivalidade ainda agora estava a começar. Porém, não tinha sido má ideia, Nakamura tornar-se vilão antes da WrestleMania, para dar mais interesse à história. Também não teria sido má ideia, Nakamura ter usado a mesma manobra mas, durante o combate, à revelia do árbitro, para vencer. O problema é que fazê-lo, depois de perder de forma limpa, num combate que ficou aquém das expetativas, não fica bem a Nakamura, nem à rivalidade.

E, na altura, mal sonhava o que estava para vir.

Nas semanas seguintes, Nakamura não fez absolutamente mais nada senão atacar as partes baixas de AJ Styles. Um Nakamura vilão tinha potencial, e continua a ter, mas não estamos a assistir à concretização desse potencial, mas sim a miúdos de 10 anos a fazerem palhaçadas no recreio da escola. Admito que é, sem dúvida alguma, mais pessoal do que toda a história que contaram até à WrestleMania, mas não consigo evitar em perguntar se isto era o melhor que conseguiam fazer?

Eles voltaram a encontrar-se no Greatest Royal Rumble, um dos eventos mais promovidos do ano, num combate que estava a ser melhor que o combate deles na WrestleMania, porque desta vez, havia história para contar e, apesar de ser um vilão com a idade emocional de uma criança de 10 anos, Nakamura tem uma capacidade natural para ser este velhaco que procura todos os atalhos para vencer, sempre com um sorriso mesquinho na cara. O fim do combate foi a única desilusão. Um final inconclusivo nunca é satisfatório, mesmo quando se consegue justificar. Os fãs nunca querem ver algo em que se investiram emocionalmente acabar de forma inconclusiva. Pode fazer sentido, pode ser justificado, mas, emocionalmente, não é isso que queremos ver no momento.

A rivalidade continuou para o Backlash, que se realizou na semana passada, e se pensávamos que as coisas estavam a melhorar, fomos provados errados. Foi um combate que pecou, inteiramente, pela futilidade da estipulação e pelo resultado ridículo. Primeiro, a estipulação, que foi posta em vigor para garantir um vencedor, raramente foi justificada. Nakamura e Styles podiam ter feito o que quisessem, sem desqualificações, para vencer o combate, e isso raramente se viu. Foi um combate quase normal até que envolveu uma cadeira. Segundo, como é que se pode justificar um combate sem desqualificações terminar desta forma?

AJ Styles e Shinsuke Nakamura enfrentaram-se três vezes, pelo título, no espaço de um mês. O primeiro foi promovido sem grande emoção e investimento, enquanto os outros dois terminaram de forma inconclusiva. Nenhum dos combates foi o combate épico e grandioso que todos esperavam ver quando o combate foi anunciado. Esta é a receita perfeita para um desastre. Dois empates em apenas nove dias, quando o segundo combate já é sem desqualificações, de forma a tentar resolver os problemas do primeiro? A WWE está a testar os limites da paciência dos fãs e o seu investimento nestes lutadores.

Não havia razão nenhuma para não ter dado o título a Nakamura já ou então ter acabado com ele de vez e passado ao próximo adversário. Das duas hipóteses, a primeira prejudica Styles, que passa por um banana que foi gozado durante semanas quando podia, simplesmente, ter usado uma proteção, e a segunda arrasa com Nakamura. Eu sei que parecem más opções, mas a opção que a WWE escolheu prejudica os dois e mata o interesse na rivalidade. A WWE está a arrastar uma rivalidade, da pior forma possível, e porquê? Já sabemos quem ganha num combate equilibrado e justo – AJ Styles. Esta rivalidade já teve um fim conclusivo e justo. Tenho sérias dúvidas que irá valer a pena continuar a arrastar a rivalidade e a testar a paciência dos fãs. É incrível que este tenha sido um combate que os fãs passaram meses a querer ver e, apenas no espaço de um mês, a WWE conseguiu castigar os fãs por se terem atrevido a sonhar.

Não deixa de ser irónico que, todos os protestos que surgiram quando se viu que o combate pelo título da WWE não ia ser o último combate da noite, evaporaram quando se viu como terminava. Se bem que, o que é preferível para último combate da noite? AJ Styles e Shinsuke Nakamura atacam-se mutuamente nas partes baixas e não conseguem levantar-se ou Roman Reigns vence contra Samoa Joe, num combate que ninguém quis ver ou saber?

Realmente, não sei o que é que me teria deixado menos frustrada ver em último. Não deixa de ter a sua piada quando a criativadade da WWE é tão trágica e catastrófica que, basicamente, tudo corre mal e nem podemos dizer que haviam alternativas ao que foi apresentado como combate principal.

Sou um tipo de fã picuinhas com certos detalhes. Para mim, a não ser que o evento também tenha o culminar de uma rivalidade extremamente pessoal e intensa, o título principal deve encerrar a noite. E, para mim, o campeão entra em último, seja herói ou vilão. Para mim, detalhes como estes, que para outras pessoas podem parecer triviais, são os que valorizam os títulos e, no fim, fazem valer a pena tudo o que os lutadores fazem e sofrem para os vencer. Os detalhes são importantes, porque acabam por fazer a diferença no fim. Todavia, com a patetice de rivalidade que Styles e Nakamura têm tido, nem consigo gerar frustração suficiente para me queixar disso.

A WWE está a sofrer enormes problemas de falta de criatividade (ou simplesmente má criatividade) e demasiada programação. Para além de termos eventos que estão constantemente a ultrapassar a marca das três horas de duração, tivemos três eventos especiais no mesmo mês! Fora toda a programação semanal que, por si só, é impossível de acompanhar todas as semanas, a tempo e horas. A WWE não tem criatividade suficiente para justificar apresentar tanto conteúdo e, quem acaba por pagar, são os fãs e os lutadores em questão.

O Backlash foi mais um evento que não precisava de existir. E o problema, não é a qualidade dos combates em si. Não aconteceu nada neste evento que justificasse a sua realização. E, não que precise sempre de acontecer alguma coisa para os eventos existirem, mas depois de já termos assistido a dois eventos este mês, precisávamos mesmo de um terceiro onde nada acontece? Onde as histórias se arrastam, os lutadores se cansam ainda mais, depois da semana de WrestleMania, do Greatest Royal Rumble e prestes a partirem para a tour europeia. O Backlash foi um evento que não precisava de existir.  Nada mudou, nada avançou significativamente, e agora teremos de esperar por mais um evento de, sabe-se-lá quantas horas, para sabermos se a WWE consegue, ou não, revitalizar a sua programação.

Na minha opinião, a rivalidade de Nakamura e Styles não tem grande salvação. A WWE fez demasiados disparates, num curto de espaço de tempo, para salvar esta rivalidade. Como disse anteriormente, os dois já perderam demasiado por estar envolvidos nesta palhaçada juvenil e desinspirada e não acredito que, no fim, vamos pensar que tudo valeu a pena. Não há manobras ou decisões mágicas que salvam rivalidades desta forma e, mesmo se houvesse, não sei se a WWE as encontraria. Uma rivalidade absurda envolvendo talentos populares que têm o poder de gerar dinheiro. Enfim, não é a primeira, nem será a última vez, que a péssima criatividade da WWE prejudica ou sabota talento. Hoje em dia, com o melhor plantel que alguma vez teve, a WWE é o seu maior inimigo.

Autor

- Administradora. Publico parte das notícias, faço a gestão da League, dos Passatempos e ainda sou escritora do artigo “Opinião Feminina”.

9 Comentários

  1. Rui Ribeiro há 3 meses

    “Hoje em dia, com o melhor plantel que alguma vez teve, a WWE é o seu maior inimigo”

    Isto é tão verdade que até dói. Excelente artigo.

  2. BAH, vocês só sabem reclamar…. nunca esta bom o suficiente… digo a wwe tem quase 50 anos de história… 50 anos de rivalidades é normal que tenham que repetir coisas…. mas como sempre os incríveis fans e escritores de blogs sabem muito mais do que os bookings da wwe… seria muito legal que gênios como salgado tivessem a oportunidade de ser booking… por que com certeza os gênios do site wrestling pt sabem muito mais do que o pessoal que trabalha lá na wwe… incrivel…

    • Santos99 há 3 meses

      Claro que é mais facil julgar e criticar a WWE do que trabalhar lá. Mas não podes negar que a “criatividade” nesta situação é vergonhosa e muito triste. São situações destas qie me fazem virar para outras empressas como a roh ou njpw.

  3. Santos99 há 3 meses

    Não podia concordar mais contigo Salgado. Este combate ja era esperado desde que ambos foram contratados, e num mês, Aj Styles vs Nakamura já é um combate banal. É muito triste o que a WWE fez,e com o panorama atual, só o open challenge do rollins tem algum interesse na programação da wwe.

  4. Júnior 007 há 3 meses

    O combate foi ótimo , o problema é que o Vince McMahon quer ficar inventando finais mirabolantes e aí o tiro acaba saindo pela culatra esse combate tinha tudo pra roubar o show.

  5. KILL OWENS KILL há 3 meses

    Excelente artigo.

    “É incrível que este tenha sido um combate que os fãs passaram meses a querer ver e, apenas no espaço de um mês, a WWE conseguiu castigar os fãs por se terem atrevido a sonhar.”

  6. Anonimo há 3 meses

    Mimimi. Criticar, criticar e criticar. A verdade é que toda a gente vê na mesma

    • Rui Ribeiro há 3 meses

      Ai agora ser fã significa ver e concordar com tudo o que a empresa faz?

  7. ShinSlayer há 3 meses

    Ótimo artigo!

    Acredito que a rivalidade deveria ter finalizado no segundo encontro entre eles, até não ter tido revanche, caso o Nakamura ganhasse. Confesso que gostei da Heel turn dele, mas um Heel não fica a cada semana socando o saco do adversário… É incrível a capacidade da WWE em cagar nas coisas que os fãs mais queriam/pediram…

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