Top Ten #192 – 10… Tentativas de Homicídio?!

Bom, bem-vindos a um novo Top Ten. Um negro Top Ten. Mas não me culpem a mim, nem me chamem doente. Se estou aqui a enumerar coisas destas é porque elas aconteceram e alguém mais doente que eu as colocou em TV. Eu só venho lembrá-las todas. É, não é um Top Ten bem como os outros. Mas no mundo do wrestling em que pouquíssimo se leva a sério, até isto dá para a borga. É, não neguem que também vocês são doentes.

Não nos esqueceremos tão cedo de tão bizarro segmento que tivemos no surpreendentemente bom “Great Balls of Fire”. Roman Reigns perde um combate por estupidez própria, amua e faz o que todos fariam. Tenta matar o adversário. ‘Tá tudo tolo, definitivamente, deve ser da água ou assim. O pior de tudo é que nem sequer é o primeiro! Recordemos dez grandes momentos televisivos em que pancada no ringue não chegava e lá se tentava o assassínio em TV, em directo, à frente de uma plateia de milhares.

10 – O nosso piromaníaco favorito

Pasmem. Este Top Ten por acaso não são dez coisas que o Kane já fez. Mas quase que podia. Já ele foi menino de raptar metade do plantel e de tentar pegar fogo à outra metade. Nada que lhe pareça estar a prejudicar o seu actual percurso político. Aqui destaca-se uma rivalidade com Rob Van Dam em que, bem à sua moda, rapta o ginasta e mantém-no como refém, deixando-nos à espera da consequente tortura. Nem sabíamos se o ia sodomizar, desmembrar ou ambos. Com um RVD algemado, ficamos confusos sem saber se Kane vai cometer alguma atrocidade ou se andou a ler muito “As Cinquenta Sombras de Grey”. É quando acende um fósforo que nos lembra. Pois, é a cena dele e tal. O pior não chega a acontecer, fica-se mais pela ameaça e o raio do fósforo também não parecia querer ir muito longe. RVD safou-se da morte essa noite. Também, com fumaça já está ele habituado a lidar. Mas saiu ileso. Enquanto um cameraman ali estava a centímetros deles, sem fazer nada e sem que lhes faça confusão. É, isto do wrestling é melhor visto sem pensar muito…

9 – He did it for The Rock

Sabem o velho segmento de backstage em que um lutador é apanhado desprevenido e atacado por trás, deixado a necessitar assistência? Isso é para meninos. Homem que é homem leva logo com um carro! Foi o que aconteceu com Stone Cold que andava lá fora, a meter-se na sua vida, quando um carro decide levá-lo pela frente. Pior de tudo é que como o Sr. Austin gosta de uma boa pinga, muitos iam culpá-lo a ele. Mas não, aqui foi um atropelamento propositado e Steve Austin era um alvo. Serviu para uma storyline de interesse, de especulação e de procura do culpado. Novelesco, ou talvez um pouco a pender para o policial, a chamar ali por uns trocadilhos de um Horatio Caine. Mas despertou interesse. E afinal tanta coisa e no final foi só o Rikishi. He did it for The Rock. ‘Tá bem, mas continuas a ser o Rikishi. Mesmo tendo matado um pouco o interesse da história e mesmo metendo Triple H na conspiração, na altura prendeu o povo. Que ainda hoje achou um desperdício. Ainda hoje fãs criam histórias alternativas para quem atropelou Stone Cold. Eu tenho a melhor, nem o Russo se lembrava: o próprio Stone Cold. Pensem bem nessa.

8 – They did it for The Rock!

Não, não há aqui nada que tenha a ver com o angle anterior, a não ser envolver The Rock e eu querer fazer títulos parecidos para quase ficar orgulhoso de mim mesmo. No anterior, Rikishi tentou matar Steve Austin pelo seu primo The Rock. Aqui ninguém fez nada por ele, aqui o grupo tentou matar o The Rock mesmo. Recuamos a 2002 e à chegada da nWo à WWE para montar barraca em todo o lado, com cheiros de Invasion no ar. The Rock era o alvo e lá meteram o desgraçado numa ambulância e decidiram fazer o que qualquer “Real American” que tomou as vitaminas e rezou as orações faria: fazer um camião atravessar o raio da ambulância. Sim, isto de brincar aos assassínios com ambulâncias já vem de antes e, quer do lado de fora ou dentro, envolve alguém da mesma família. The Rock, felizmente, ainda está entre nós hoje em dia. Até está em todo o lado. Conhecendo-o como conhecemos agora, assumimos que para este segmento, The Rock foi substituído por um outro primo, seu duplo, que levou o bump de acção. Como isto foi antes disso, temos que assumir que são as magias da WWE a safá-lo. Isso ou a nWo não conseguir colocar over, nem uma tentativa de homicídio em 2002. Acho que se eles mesmos se entregassem e apresentassem as provas contra si, nem assim a polícia ia querer saber muito deles e ia dizer-lhes para ficar em 1996!

7 – He can’t see him!

Já vos disse, aqui só trago histórias e angles das mais mundanas e casuais. Como daquela vez em que JBL, muito casualmente, tentou matar o Cena. Cantem “Cena sucks” a todo o pulmão, quero ver se arranjam as bolas para fazer uma destas mas é. A fechar uma edição do Monday Night Raw, JBL fartinho de brigar com Cena, tem uma ideia. Uma brilhante ideia. Encostar um Cena inanimado a um carro, entrar noutro e fazer a mais racional das decisões: carrega no acelerador e toca a matar o gajo, que as consequências serão mínimas! Quando chega a altura de JBL ver os estragos que fez, de se orgulhar da sua carnificina, de se preparar para dizer aos milhares na assistência e aos milhões a ver em casa para não dizerem nada à polícia… Cena já não estava lá. Lá está, he couldn’t see him! Essa porra resulta! Também tenho uma teoria para essa, que é: Cena naquele preciso momento, no segundo certo, consegue transformar-se em Super Cena, com espinafres ou um superamendoim, ou lá como ele faz, e pára o carro com a mão mesmo. E a seguir voa para a sua liberdade, em direcção a um arco-íris, onde escolheria a cor da sua próxima t-shirt. Ah, só querem coisas realistas? Mesmo num angle como este?

6 – It’s his yard, faz o que quer

Roman Reigns. És muito bom rapaz e ninguém nega o teu atletismo e que fazes umas cenas no ringue. Mas já te queimaram de tal forma que agora parece impossível fazer com que gostem de ti. Tenta de tudo. Matar uma pessoa? Pronto, tenta e vê. Foi o que ele fez no Great Balls of Fire. Num combate em que Reigns não é o gajo mais inteligente do mundo, decide atirar-se de cabeça pela ambulância dentro, num combate em que devia evitar entrar nela. E perde o combate, claro. Faz o que qualquer homem adulto e bom desportista faria. Amua, ataca o adversário, mete-o na ambulância como se ainda estivesse a valer, leva-o lá para fora e espeta com a ambulância, em marcha-atrás, contra um outro camião, a ver se mata o gajo que está lá dentro. Mata-se o bicho, acaba-se a peçonha. Foi um segmento bizarro, surpreendente, entretido e com muita vibe de Attitude Era. E o psicopata do Reigns, como perdedor do combate e quase homicida, tem a punição que merece: uma oportunidade de se qualificar para lutar pelo Universal Championship num dos maiores PPVs do ano. Espera lá, como é?

5 – A culpa é da Janice!

Pronto, até nem devia estar aqui a culpar um objecto inanimado. Nem o vou fazer. Sim, é o que dá vontade de fazer ao ver uma tábua repleta de pregos. Uma arma mortífera. Mas se calhar se é para atirar culpas, voltemo-nos para os senhores que autorizam que aquilo esteja sempre lá. Normalmente bem guardadinho debaixo do ringue. E como parece que com o Rob Van Dam, não é só à queima que se trabalha, também esta arma já pôde provar um pouco do ginasta. Em pleno Impact, alguma agitação no backstage puxa para lá as atenções. E levamos com uma imagem grotesca de um RVD no chão, ensanguentado. A típica cena de crime, a pedir fotografias de vários ângulos. Para investigar. Que não era preciso, porque vemos logo a seguir Abyss a gritar, com a Janice na mão, coberta do sangue que nos resta assumir que é daquele inanimado Van Dam. Afinal foi fácil. A facilidade com que Abyss se safou disso é que também é perturbadora, mas temos mesmo que assumir que nem um único polícia assiste a wrestling!

4 – Tiros às cegas

Lá está, os tempos da Attitude Era. Os tempos em que tantas faziam, que chegava a um ponto que todas as semanas deviam ter alguém a dizer “Desta vez foram longe demais.” Ainda por cima, o kayfabe mesmo que já descoberto, não estava tão aberto como actualmente, logo até preocupavam pessoas. Mas naquela década de 90 era tudo tolo, havia estômago para tudo. Incluindo para loucuras do Brian Pillman. Resgatado da WCW onde já era o “Loose Cannon”, doido, prossegue um pouco a gimmick… Só que ainda pior. E com acesso a armas, que é aí que o caldo entorna. Quando Stone Cold Steve Austin lhe faz uma visita a casa. Pillma não parece ser o melhor anfitrião e desata logo a puxar da segunda emenda da sua Carta dos Direitos e a apontar-lhe a arma. A emissão conclui com um tiro de paradeiro desconhecido. Tem a malta que esperar uma semana para saber se Stone Cold está vivo porque isto de andar aos encontrões e às rasteiras no ringue afinal não chega. Não é mais seguro andar a fazer que garrafas de água de plástico são armas letais?

3 – Só uma dissecaçãozinha

Até podemos tirar daqui duas conclusões menos ortodoxas. Se calhar o Undertaker era só um grande entusiasta de ciência e biologia e fazer as cenas em sapos não lhe enchia bem as medidas e achava que a anatomia de Steve Austin era bem mais interessante. Ou então que ninguém gostava do Stone Cold naqueles tempos, que esta é já a sua terceira aparição na contagem, que até parece que faziam fila para lhe fazer a folha e forçá-lo a chutar o balde. Mas isto era nos tempos em que Undertaker gostava de raptar pessoas, pendurá-las pelo pescoço e, de vez em quando forçar casamento com uma virgem como a Stephanie McMahon – HA! FIA-TE! Era muito boa pessoa nestes tempos, a ver se outro qualquer conquistava a adoração que ele conseguiu depois. Undertaker já tinha raptado Stone Cold e estava pronto para um pequeno homicídio em TV, com comentários de JR e King, qual combate em PPV. Chegou o salvador, o anjo, o herói. O Kane? O Chamuscas, o electrocuta-testículos? É, isto era muito esquisito às vezes…

2 – Quantas vidas tem Paul Bearer?

Antes de mais, antes de amenizar a coisa, retire-se a parte triste. William Moody, o homem que interpretava o inigualável Paul Bearer, já nos deixou em 2013, infelizmente. Em vida e interpretando a sua mítica personagem, Paul Bearer já foi assassinado em TV por mais que uma vez. Até lhe dou aqui a entrada dupla, quando foi morto por dois indivíduos diferentes. E é claro que tinham que ser os nossos psicopatas favoritos: Undertaker e Kane, que já por aqui foram listados! A primeira deu-se no Great American Bash de 2004, em que Undertaker enfrentou os Dudleys, com Bearer enterrado em cimento até ao peito e com Paul Heyman a ordenar que Undertaker não seguisse com o combate, senão puxava uma alavanca que o enterraria inteiramente. E o sacana do Undertaker luta, ganha e ainda vai ele mesmo puxar a alavanca para enterrar Paul Bearer porque sim, fazia falta um choque. Para o público em TV, acabou assim, homicídio acabava de ser simulado em TV, na boa. Para o público presente, sempre viram Bearer a ser resgatado e a permitir-lhe a sobrevivência. Isto é, “o Bearer”. O duplo que lá estava. O original não podia lá estar e as suas imagens de Bearer a ser enterrado e a gritar pos misericórdia foram previamente gravadas. É, isto é só truques.

A outra vez será referente àquela história em que Edge, engraçado como ele era, andava a atormentar Kane, com um Bearer raptado e bonecos do lendário manager colocados em sítios estratégicos para parecer que Kane assistia à morte do pai. Até que ele se fartou, ao ver outro “boneco” e empurrou-o mesmo, como um maníaco, para mostrar que já entrava nos joguinhos de Kane. Tirando a parte que aí já era mesmo Paul Bearer e lá o vimos, a jazer no chão uns bons metros abaixo de onde Kane o tinha empurrado. Eh pá, não sei o quão divertido devia ser matar o homem em TV, para eles, sinceramente…

1 – Todos adoram o Vince

Oh vá lá, claro que ia guardar para o fim o nosso angle favorito de todos os tempos e um clip tão recordado e parodiado. Exijo que a limusine explosiva entre no Hall of Fame um dia. O homicídio em TV de Vince McMahon por… Eh pá, toda a gente. Ali todos eram suspeitos, quando assistimos ao segmento antecessor com todo o plantel já a matar Vince com os olhos, enquanto este se dirige ao exterior – e lá está, a prova, foi o Paul London!! – e entra no veículo para ir tudo ao ar. Final dramático. Era eu miúdo e outra malta na escola a acreditar que aquilo tinha sido a sério e que já não havia Vince. Grande storyline novelesca ia sair daqui mas entretanto alguém decidiu mesmo brincar aos homicídios domésticos a sério e virar a companhia de pernas para o ar nada de especial aconteceu e a história foi cancelada. Mas quantos de vós, hoje, ao entrar no veículo, não tiram ainda uma perninha fora antes de se instalar só naquela? Ou evitam isso a todo o custo, com o medo que realmente o dito vá pelos ares?

Bom, chega de policiais de classe B, o Top Ten fica por aqui. Foi intenso, este. Mas pronto, a malta ficou viva, pelo menos nos segmentos em questão. Mas parece que isto de andar na estrada, a lutar em ringues, deixa mesmo um gajo tolo que eles de vez em quando sacam de algumas assim. Agora é a parte engraçada, que tenho em todas as conclusões, em que vos peço para comentar. Em que arranjo aqui alguma nova categoria de cara-de-pau para vos perguntar o que acham destas fantásticas tentativas de assassínio em TV, como os bons cidadãos que vocês são. Comentem lá os segmentos, os vossos favoritos (!!!), os que odiaram. E, se tiverem aí um bom arquivo policial, acrescentem algum caso aqui esquecido – recorri muito a memória e alguma pesquisa, neste – porque aparentemente isto nunca é demais. Fiquem bem, depois de ver estes tolos todos e o que fazem e sabendo que vocês assistem ao que eles fazem e os admiram – a minha lata aqui a usar exclusivamente a segunda pessoa – agora é que vos digo mesmo para se portarem bem. Devo voltar na próxima semana, se não me cruzar com nenhum destes. Até à próxima! Irra!

Sobre o Autor

- Escritor do artigo “Top Ten”.

8 Comentários

  1. O que tem piada nestas storylines é que nos querem convencer de que isto aconteceu mas esquecem que uma tentativa de homicídio dá cadeia, não há forma realista de acreditar que o Roman Reings tenta matar o Braun Strowman mas tudo se resolve numa desforra. Não foi em tv mas merecia uma referência quando um amigo do Carlito esfaqueou o John Cena numa discoteca e tudo se resolveu no ringue.
    No Lucha Underground, há cerca de três semanas atrás, tivemos não uma tentativa mas sim um verdadeiro homicídio, quando o Cage assassinou um dos parceiros de negócios do Dario Cueto. A diferença é que não é suposto estarmos a ver aquilo, pela forma como eles fazem esses segmentos, resulta melhor. Infelizmente não desenvolveram essa história desde então.

    • Já agora um aparte. Por culpa do show de homenagem ao Chris Benoit que depois afinal nunca aconteceu, o Vince McMahon voltou e afinal mostrou estar vivo. Não obstante, uma vez que esse show afinal nunca aconteceu, que Benoit nunca existiu, uma vez que Triple H fez tap out ao crossface aplicado pelo lendário Vacant, que se tornou assim campeão mundial de pesos pesados, podiam ter regressado aos planos originais. A WWE já fez coisas mais ridículas e como afinal ninguém morreu, nunca existiu homenagem a ninguém, também o Vince McMahon nunca regressou e nunca falou…porque não?

    • Chris JRM - há 3 meses

      Milhares de testemunhas, câmaras bem posicionadas e cameramen que não fazem nada, etc. Temos que desligar o cérebro a assistir a algumas coisas!

      E o Lucha Underground perdoa-se, não é suposto ser um programa de wrestling de uma companhia de wrestling. É ficção e quase que vai para o terror e ficção científica às vezes. E a gentinha que já se matou aí! xD
      Mas por acaso não consigo levar esta história do punho do Cage a sério e, se eu não fosse tão tolerante a séries em geral, consideraria um primeiro momento de “jump the shark”. Mas deixo passar tudo e desfruto, claro! 😛

    • "Awesome" Hater - há 3 meses

      Se for para falar de Lucha, temos também Mr Cisco, provavelmente King Cuerno, as vitimas do Matanza e El Dragon Azteca…

  2. Rui Ribeiro - há 3 meses

    Bom artigo como sempre. Acho é que as “mortes” do Undertaker no Royal Rumble 1994 e Survivor Series 2003 podiam estar aqui e nos primeiros lugares mas pronto 😀

    • Mas é possível matar um homem que já está morto?

      • Rui Ribeiro - há 3 meses

        Isso também é verdade 🙂

        E vendo bem, no Rumble de 94 nem foi homicídio, porque aí o Undertaker é que explodiu o seu caixão, prometeu uma ressurreição e ascendeu aos céus. Esquisitices da altura 😀

    • Chris JRM - há 3 meses

      O de 2003 dá para considerar, sim 😛 Mas acaba por ser um bocado o que o Ricardo disse! xD Em 1994, não se matou ninguém, nem Undertaker, nem o Marty Jannetty lá pendurado! 😀

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